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Diretora de Investimentos da Prevcom conta como foi abril

01/06/2021 01:31

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Prevcom

Flavia Nazaré é formada em Administração, com mestrado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação em Economia do Setor Financeiro. Saiba mais aqui.

Bolsa

O Ibovespa terminou o mês com alta de 1,94% aos 118.893 pontos, acumulando uma perda de apenas -0,10% no ano. Foi a segunda alta mensal consecutiva do índice, que já havia registrado valorização de 6% em março graças à temporada de balanços das empresas referentes ao primeiro trimestre do ano de 2021. A alta mostrou que a maioria das empresas está preparada para a retomada econômica que está por vir quando o lockdown acabar em todo país. Em termo de cenário macro, investidores de modo geral se apegam a qualquer boa notícia pois estão ansiosos para alcançar os 130.000 pontos, dado que os emergentes ainda tendem a se recuperar em uma velocidade muito menor em comparação com as economias avançadas – tendo em vista que o S&P avançou 5% no mês.

Juros

O CDI teve rentabilidade de 0,21% no mês, o que levou a um acumulado de 2,15% em 12 meses e 0,69% ao ano. A poupança nova, por sua vez, apresentou ganho de 0,16%, acumulando 1,63% em 12 meses e 0,51% no ano. A curva de juros mais longa, a partir de um ano, caíram em média 0,15 pontos base, enquanto a curva de curtíssimo prazo subiu cerca de 0,50 pontos base. O IGPM para o mês arrefeceu a 1,51%, acumulando 9,89% no ano e o IPCA projetado (Anbima) para o mês está em 0,29%, acumulando 2,35% no ano.

Aqui, a pauta dominante foi a sanção do orçamento de 2021, com o veto do governo a R$ 19,8 bilhões em emendas e despesas discricionárias, além de um bloqueio de mais R$ 9 bilhões, que podem ser desbloqueados até o fim do ano.

Câmbio

O dólar teve baixa de -5,16% no mês, cotado a R$ 5,4036. Já o euro, caiu -2,84%, cotado a R$ 6,5016.  Finalmente o real se valorizou ante ao  dólar. O avanço da vacinação no mundo, combinada com a alta liquidez internacional, o aumento da Selic, o impacto positivo do preço das commodities em nossa balança comercial, bem como a recuperação econômica avançada da economia americana foram vantajosas para o cenário nacional, mas ainda incerto devido ao risco fiscal tido como um limitador. A volatilidade predominou em abril, tudo parece fazer mais sentido agora, mas, para o futuro, a incerteza ainda é a palavra da vez. O que se pode perceber de modo generalizado é a política amplamente expansionista de todos os governos globais, buscando propiciar o aquecimento das economias e inflação potencial.

Em resumo:

Em meio a tanta incerteza, a frase “é melhor ser feliz do que ter razão" parece ter prevalecido em abril no cenário de investimentos, depois do mês de março, quando vimos tudo subir após alta volatilidade: bolsa, juros, inflação e câmbio. Com poucas boas notícias, como alguns bons índices de atividade econômica ou talvez insuficiência de notícias tão ruins, como diminuição marginal no número de óbitos pela Covid-19 entre os idosos já vacinados, foram o suficiente para que o mercado justificasse os ajustes nos preços dos ativos neste mês.

Reparamos uma certa convergência de opiniões entre os gestores que, já no ano passado estavam mais otimistas, com aqueles que estavam mais pessimistas ante economia local, cenário fiscal e inflação. Seria uma luz do fim do túnel ou um sinal apocalíptico? Com relação à inflação e ao risco fiscal que ainda nos limita, além de estarmos com número estável e alto de mortes pela Covid e o programa de vacinação caminhando aquém da meta. Pelo menos, cenário global segue vantajoso para alocação, tanto do estrangeiro no Brasil, quanto do brasileiro no exterior. Mais uma vez, o mercado investidor surfa uma onda de otimismo que, tomara, tenha sustentabilidade para prevalecer nos próximos meses.

A economia de um país emergente como o nosso tende a ser cíclica. Saibamos aproveitar o momento presente dado que o futuro ainda é nebuloso.

Seguiremos atentos em maio, monitorando:

1. Comportamento de inflação IPCA-15, IGP-M e IPC-A nos próximos meses;

2. Velocidade em que o Copom irá subir as taxas de juros continuará a mesma?

3. Iminente ambiente eleitoral versus tendência ao “populismo fiscal”;

4. Preço dos combustíveis que registraram primeira queda após a posse do novo presidente;

5. Calendário de privatizações continuará sendo cumprido?

6. Inflação e juros dos Treasuries americanos que devem permanecer baixos;

7. O Covid-19, calendário de vacinação no mundo e a capacidade do Brasil em combater as novas cepas e lidar com uma possível terceira onda - a contaminação e mortes continua marginalmente melhor, mas o nível de ocupação de leitos ainda é alto.

8. Efeitos da Covid no Brasil, com a possibilidade de aglomeração no Dia das Mães e a chegada das frentes frias de outono.

9. O período de seca e o preço da energia.

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