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/De olho no mercado

Diretora de Investimentos da Prevcom conta como foi junho

26/07/2021 05:05

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Flavia Nazaré é formada em Administração, com mestrado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação em Economia do Setor Financeiro. Saiba mais aqui.

A diretora de Investimentos da Prevcom, Flavia Nazaré, traça o panorama de como os mercados se comportaram em junho.


Bolsa

O Ibovespa terminou o mês com alta de 0,46% aos 126.801 pontos, após atingir o recorde histórico de 130.776 pontos em 7 de junho. Apesar da redução das incertezas no âmbito das políticas fiscais, dados de desemprego, turbulências políticas internas, sinais de agravamento da crise hídrica e, consequentemente, da inflação, causaram tensões locais que não sustentaram o recorde, fazendo com que o índice fechasse praticamente de lado, indicando o início de um período de alta volatilidade.

Juros

O mercado de juros continua subindo no curto prazo. O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, pela terceira vez consecutiva, elevar a taxa Selic, passando de 3,5% para 4,25% ao ano, consequência do aumento da inflação também tracionada pelo aumento da demanda por itens de consumo do dia a dia pelas famílias como supermercados, itens relacionados a construção civil e bens duráveis domésticos. 

O índice de inflação IPCA acelerou, acumulando 3,82% no ano, provocando juros reais negativos de -2,52 em relação ao CDI de 2021. Na busca de retornos reais positivos, investidores têm aproveitado a recente volatilidade das taxas de juros de curto prazo, diminuindo o prazo e aumentando o volume de suas posições. O CDI teve rentabilidade de 0,3% no mês, acumulando retorno de 2,27% em 12 meses. A poupança nova rendeu 0,2%, acumulando alta de 1,6% em 12 meses.

Câmbio

Os juros mais elevados tendem a atrair capitais externos, mas o desempenho das exportações têm ajudado a manter o real em níveis mais valorizados, podendo contar ainda com um movimento de recuperação econômica brasileira, impulsionada também pelo cumprimento do calendário de vacinação e pela recuperação da economia global. 

As últimas notícias referentes à política fiscal foram melhores do que o esperado e, por consequência, despertaram no mercado uma perspectiva mais construtivista.  O dólar se valorizou globalmente, mas relação à moeda brasileira, desvalorizou-se, encerrando o mês em R$ 4,97. Cotação do dólar: caiu -4,40% e encerrou junho cotado a R$ 5. O euro caiu -7,38%, cotado a R$ 5,9276. 

Em resumo:

O primeiro semestre de 2021 evidenciou o quanto a diversificação é fundamental para driblar os juros reais negativos, neste período em que a inflação ganhou tração com o aumento dos alimentos, preços administrados, bens industriais e, mais recentemente, a energia. Investimentos em renda variável no Brasil e no exterior permitiram ao mercado a captura de retornos relacionados ao cenário construtivista. Com a retomada da economia mundial, a melhoria das exportações brasileiras (impulsionadas pela demanda por commodities), a retomada da economia local ante ao andamento do programa nacional de imunização e a confiança no Banco Central em colocar a inflação de novo no centro da meta, e uma melhor visualização da política fiscal, são pontos que têm se refletido nos preços dos ativos.

Com isso seguiremos observando:

1. Volatilidade aumentada na taxa de câmbio;

2. Andamento das políticas fiscal e tributária;

3. Possível elevação dos juros: próxima reunião em 3 e 4 de agosto;

4. Comportamento da inflação;

5. Início da volatilidade relativa a disputas eleitorais;

6. Evolução da crise hídrica e seu impacto nos preços da energia elétrica e na inflação.

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