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Diretora de Investimentos da Prevcom conta como foi julho

06/08/2021 09:56

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Flavia Nazaré é formada em Administração, com mestrado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação em Economia do Setor Financeiro. Saiba mais aqui.

A diretora de Investimentos da Prevcom, Flavia Nazaré, traça o panorama de como os mercados se comportaram em julho.


Juros

O mercado de juros operou com mais volatilidade do que o esperado e finalizou o mês precificando uma Selic elevada, tendo em vista a perspectiva de alta da inflação, mesmo com as boas notícias de retomada da economia e revisão da expectativa do PIB para cima. O mercado espera aumento +1% na Selic, para 5,25% ao ano na próxima reunião do COPOM*. Muitos investidores têm alocado seus recursos na renda fixa ajudando a contrair o prêmio dos títulos de crédito. O IGP-M subiu 0,78% em julho, bem abaixo da mediana das estimativas, mas acumulando 8,63% em 12 meses até junho e, com isso, proporcionando aos investidores da renda fixa (CDI) um rendimento em juros reais negativos de -5,7% nos últimos 12 meses. O CDI teve rentabilidade de 0,36% no mês, 2,43% no acumulado em 12 meses. A poupança nova, por sua vez, apresentou ganho de 0,24%, acumulando 1,72% em 12 meses.

Câmbio

O mercado de câmbio continua volátil, apesar das notícias de sólida recuperação econômica do PIB e alívio do risco fiscal no curto prazo. Pela cotação do Banco Central (Ptax 800), o dólar teve alta de 2,39% no mês, cotado a R$ 5,1216. A moeda reagiu a turbulências políticas relativas à reforma tributária no Brasil, ao avanço da variante delta da COVID 19 pelo mundo, a sinais de desaceleração na economia japonesa e à variação no preço do petróleo, que manteve-se no patamar acima de R$ 5.  O dólar comercial encerrou vendido a R$ 5,21, com alta de R$ 0,131 (+2,57%).

Bolsa

O Ibovespa alternou ganhos e perdas, apesar do forte indicativo de recuperação sólida na economia brasileira. Especificamente no último dia do mês, os investidores tiveram um movimento forte de venda, usando como pretexto notícias relativas às reformas em trâmite no congresso e especulações sobre a definição de valor e número de beneficiários do Bolsa Família. O índice Bovespa fechou julho com baixa de -3,94%, aos 121.800 pontos, mas ainda com alta de 2,34% no ano e 18,35% em 12 meses. No exterior, o S&P 500 encerrou o mês de julho com uma valorização acumulada de 2,27%, a 4.395,29 pontos, o sexto mês consecutivo de alta, mesmo depois de o PIB dos EUA ter crescido menos do que o previsto no segundo trimestre.

Em resumo:

A inflação dos últimos 12 meses acumulou uma conjunção de choques, podendo acumular outros ao longo do semestre como a recomposição de preços de serviços e a onda de frio e geadas, que pode impactar ainda mais na produção de alimentos. Com isso, os investidores continuam com visão incerta sobre a desaceleração da inflação no curtíssimo prazo. O cenário para a renda fixa é desafiador, tendo em vista o retorno real negativo acumulado nos últimos 12 meses.

No mercado de renda variável, a volatilidade continua alta e faz com que o mercado esteja cada vez mais atento à divulgação de balanços, a dados setoriais e à expectativa de novos IPOs. 

No cenário macro, tensões relativas às reformas em trâmite e minirreforma ministerial ajudaram a trazer volatilidade no preço dos ativos. Mesmo com o arrefecimento da pandemia, o mercado, principalmente externo, observa e inclui no preço dos ativos as incertezas da variante delta. 

Com isso seguiremos observando:

_ Inflação, principalmente nos EUA e no Brasil, versus juros;

_ Efeitos dos aumentos da Selic na economia real e nos investimentos;

_ Impacto da variante delta nas economias;

_ Desaceleração da economia chinesa e impacto no preço das commodities;

_ Reformas do Imposto de Renda, reforma fiscal, novo Bolsa Família;

_ Relação dívida bruta/PIB.

  * Antes mesmo de divulgarmos essa coluna, o COPOM decidiu aumentar a taxa Selic em 1%, conforme previsto pelos investidores.

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