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Diretora de Investimentos da Prevcom conta como foi o último mês no Brasil

28/01/2021 10:12

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Flavia Nazaré é formada em Administração, com mestrado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação em Economia do Setor Financeiro. Saiba mais aqui.



A partir deste ano, a diretora de Investimentos da Prevcom, Flavia Nazaré, vai traçar um panorama mensal de como os mercados se comportaram nos últimos dias 30 dias. Para começar, como ficaram os principais marcadores em janeiro.


Bolsa de valores

Ano novo, vida nova? Esta foi uma esperança que durou pouco em janeiro no Ibovespa. A bolsa acumulou perda de -0,32% no mês, fechando com 115.068 pontos, apesar de ter alcançado a máxima histórica no dia 8, com 125.076. Nem mesmo o ingresso de capital estrangeiro de R$ 23 bilhões suplantou os riscos mapeados pelo mercado, que ainda sofre a “contaminação dos emergentes”. Enquanto a vacina contra o coronavírus foi considerada um fator benéfico, o lockdown em vários países da Europa, o aparecimento de novas cepas do vírus e o crescimento de ocupações de UTI no Brasil, após os períodos de festas de fim de ano, neutralizaram o “efeito vacina” no mercado brasileiro.

O cenário doméstico continua incerto com relação à política fiscal com foco na expectativa das eleições na Câmara e no Senado e as respectivas proposições para reformas que possam mitigar o risco de déficit fiscal.


Renda fixa

Já o CDI, teve rentabilidade novamente de 0,15% no mês, o que levou a um acumulado de 2,55 % nos últimos 12 meses. Na reunião de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros Selic em 2% ao ano. O comitê não alterou a perspectiva de alta nas taxas de juros pelo mercado após a divulgação da inflação de dezembro acima do centro da meta, sinal de que a pressão de oferta sobre alimentos não tem se dissipado na velocidade esperada, passando a incorporar um certo “desconforto inflacionário” no mercado de renda fixa, elevando a estrutura a termo de taxa de juros com relação à de dezembro.

Outro fator de risco gira em torno do ambiente relacionado às tratativas ante as metas fiscais, que propiciaram um ambiente hostil aos investidores com expectativas nas eleições da Câmara e do Senado. A  esperança era obter resultados de maior austeridade fiscal ainda este ano e seus efeitos para a economia, bem como para a rolagem da dívida interna, dado o elevado nível de endividamento no Brasil (equivalente a quase 90% do PIB, o maior entre os emergentes) que exigirá, em algum momento, um ajuste estrutural na despesa para reduzir a dívida pública e alongar seu prazo. 

A poupança nova, por sua vez, apresentou ganho de 0,12%, acumulando 1,97% em 12 meses. 


Câmbio

Pela cotação do Banco Central (Ptax 800), o dólar teve alta de 5,37% no mês, cotado a R$ 5,4759. O euro ganhou ainda mais força, subindo 4,32%, chegando a R$ 6,6532. Havia um viés favorável para a recuperação econômica internacional, com o início da vacinação contra a COVID-19, mas o fechamento de diversos países na Europa e o temor relativo a novas cepas de coronavírus jogaram um balde de água fria nessa expectativa no curto prazo. O impacto foi ainda mais negativo nas economias emergentes, como o Brasil, que têm o futuro do câmbio muito condicionado à condução de sua política fiscal e seus potenciais efeitos na economia. Fatores que, sem dúvida, favorecem a carteira de investimentos no exterior, que tendem nos agregar maiores retornos do que a carteira local.


Resumindo, iniciamos o ano de 2021 com volatilidade e uma tendência indefinida, com notícias internas e externas que apontam um viés de baixa no aquecimento da economia brasileira no primeiro trimestre mas, ainda assim, a alta liquidez dos mercados e a divulgação de bons fechamentos de balanços podem levar a bolsa para uma valorização potencial pontual até porque, entre os emergentes, o Brasil é o país mais “barato” de se investir. Toda essa incerteza e volatilidade reforça a tese de diversificação já prevista nas políticas de investimentos da Prevcom.

Seguiremos atentos em fevereiro a alguns fatores:

_ Comportamentos da inflação: IPCA-15, IGP-M e IPCA;

_ Dilema do reajuste do preço do diesel, que interfere diretamente no valor das ações da Petrobrás, e as especulações sobre uma possível greve dos caminhoneiros;

_ Calendário de privatizações;

_ IPCA-15 fechou o ano em 4,2%, ante 3,9% em 2019. IGPM com alta de 23,1%, ante 7,3% em 2019;

_ A Covid-19, calendário de vacinação, evolução de novas cepas, contenção de reuniões no Carnaval, para evitar o grande número de internações, como aconteceu nas festas de fim de ano;

_ A posse do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi pacifica e iniciativas tem sido propostas, com destaque ao novo pacote de estímulos fiscais cujas discussões avançaram para fevereiro;

_ Até quando o Copom conseguirá mirar suas atenções no longo prazo ao conduzir a política monetária com relação ao comportamento da inflação versus taxa de juros.

_ Discussões sobre a política fiscal no Congresso Nacional.       

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